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Professor em várias escolas: o que a pesquisa da FCC revela sobre a jornada docente

Professora caminha apressada em frente ao portão de uma escola pública no fim da tarde

Quantas escolas cabem na semana de um professor? Para muita gente da educação básica, a resposta é: duas, três, às vezes quatro. A rotina começa cedo em uma escola, segue à tarde em outra e, não raro, termina à noite em uma terceira. No meio do caminho ficam o trânsito, as provas para corrigir e o planejamento feito no fim de semana.

Essa realidade acaba de ganhar números e explicações. No fim de setembro, a Fundação Carlos Chagas (FCC) lançou um relatório inteiro sobre a atuação docente em múltiplas escolas. Neste artigo, você vai entender o que a pesquisa encontrou, por que tantos professores vivem essa rotina e o que pode mudar quando a jornada se concentra em uma só escola.

O que a pesquisa da Fundação Carlos Chagas revelou

O estudo foi lançado em 29 de setembro de 2026 pela Fundação Carlos Chagas, em parceria com a Universidade de Stanford e o D³e (Dados para um Debate Democrático na Educação), sob coordenação da pesquisadora Gabriela Moriconi. A equipe cruzou dados do Censo Escolar, fez estudos de caso em cinco redes estaduais e aplicou um questionário a professores do ensino fundamental e médio.

Os principais achados:

  • Cerca de 450 mil professores trabalham em duas ou mais escolas no Brasil, segundo dados do Censo Escolar 2023;
  • a maioria preferiria atuar em uma só escola, com no máximo 20 a 30 horas-aula por semana;
  • mesmo assim, muitos já chegaram a 40 horas-aula semanais ou mais em algum momento da carreira;
  • o acúmulo de escolas vem, principalmente, de políticas e processos das redes, somados à desvalorização salarial.

Ou seja: na maior parte dos casos, não é uma escolha. É o desenho do sistema que empurra o professor para várias escolas ao mesmo tempo.

Por que tantos professores dividem a semana entre escolas?

Parte da resposta está em uma revisão sistemática da literatura publicada pela mesma equipe na revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação. Os autores analisaram 82 trabalhos nacionais e estrangeiros sobre o tema. Três fatores aparecem com mais força:

  • Baixos salários: para alcançar uma renda digna, o professor soma contratos e turmas;
  • Estrutura contratual: regras que permitem acumular vínculos e jornadas parciais em redes diferentes;
  • Organização curricular: disciplinas com poucas aulas semanais obrigam o docente a completar a carga em outras unidades.

Esse último ponto é bem conhecido de quem dá aula de Arte, Filosofia, Sociologia ou Língua Estrangeira. Com uma ou duas aulas por turma, fechar a jornada em uma escola só se torna quase impossível.

O estudo também mostra que fatores do dia a dia pesam: os horários escolares, a forma de contratação por disciplina e a atribuição de aulas no início do ano.

O custo invisível de trabalhar em várias escolas

Dar aula em várias unidades vai muito além do deslocamento. Cada escola tem sua equipe gestora, seu projeto pedagógico, seu calendário de reuniões e seu jeito de lidar com os alunos. O professor precisa se adaptar a tudo isso ao mesmo tempo.

Na prática, isso costuma gerar:

  • menos vínculo com os estudantes, porque o professor passa pouco tempo em cada comunidade;
  • dificuldade para participar do trabalho coletivo, já que as reuniões de uma escola coincidem com as aulas em outra;
  • planejamento fragmentado, feito às pressas e fora do horário de trabalho;
  • cansaço acumulado, que afeta a saúde e a qualidade das aulas.
Grupo de professores conversa no pátio da escola diante de um mural de projetos dos alunos

O que a pesquisa recomenda às redes de ensino

O relatório não se limita ao diagnóstico. A equipe da FCC propõe medidas concretas para as secretarias de educação. Entre elas:

  • abrir editais para que professores efetivos ampliem a jornada para 40 horas;
  • garantir pelo menos um terço da jornada para planejamento, trabalho coletivo e formação continuada;
  • revisar a atribuição de aulas para favorecer a atuação em uma única escola;
  • fazer concursos periódicos e limitar os temporários a 30% do quadro;
  • contratar temporários com no mínimo 20 horas semanais e salário equivalente ao inicial dos efetivos.

A recomendação central, nas palavras da coordenadora, é alocar cada professor a uma única escola, em jornada integral, com tempo garantido para o trabalho fora da sala de aula.

Uma escola só: o que muda para o professor

Quando a jornada se concentra em uma unidade, o tempo deixa de ser gasto em trânsito e passa a ser investido em ensino. O professor conhece melhor os alunos, acompanha a evolução de cada turma e participa das decisões pedagógicas da escola.

O planejamento coletivo também ganha força. Fica mais fácil, por exemplo, organizar experiências de coensino, em que dois professores dividem a mesma turma e combinam estratégias. Esse tipo de parceria depende de horários comuns, algo raro para quem corre entre escolas.

É aqui que entram as escolas de tempo integral. Nesse modelo, a jornada dos alunos é ampliada para sete horas ou mais por dia, e muitas redes adotam a dedicação a uma única unidade para os professores. O desenho do trabalho muda: além das aulas, entram oficinas, projetos interdisciplinares, tutoria e acompanhamento mais próximo dos estudantes.

Para o professor, isso abre uma nova frente de atuação. Mas também exige preparo. Trabalhar no tempo integral não é repetir a mesma aula por mais horas. É saber planejar projetos, integrar áreas do conhecimento e usar o tempo extra para aprendizagens que a escola de meio período não comporta.

Como se preparar para essa mudança

Mesmo que a sua rede ainda não tenha mudado as regras, vale se antecipar. Algumas atitudes ajudam:

  • Conheça o plano de carreira da sua rede: verifique se há editais de ampliação de jornada ou de remoção para concentrar aulas em uma escola;
  • Acompanhe a expansão do tempo integral: muitas redes estão abrindo vagas em escolas de jornada ampliada;
  • Valorize o tempo de planejamento: use a hora-atividade para o trabalho coletivo, não só para corrigir provas;
  • Invista em formação continuada: uma especialização conta pontos em processos seletivos internos e em progressões de carreira.

A pesquisa da Fundação Carlos Chagas deixa claro que a rotina em várias escolas não é falta de organização do professor. É resultado de políticas que podem e devem mudar. Enquanto essa mudança não chega, conhecer os modelos de jornada ampliada coloca você um passo à frente quando as oportunidades surgirem.

Se você quer atuar em escolas de jornada ampliada, liderar projetos e planejar uma educação que vá além da sala de aula tradicional, conheça a Pós-graduação em Educação em Tempo Integral da Faculdade São Luís. São 450 horas, 100% online, sem prova presencial, com conclusão em 6, 9 ou 12 meses. O diploma serve para prova de títulos e progressão na carreira. Faça sua matrícula e comece no dia 1º do próximo mês.

Perguntas frequentes

Quantos professores trabalham em mais de uma escola no Brasil?

Segundo dados do Censo Escolar 2023 reunidos pela Fundação Carlos Chagas, cerca de 450 mil professores atuam em duas ou mais escolas.

Por que o professor acaba trabalhando em várias escolas?

Os principais motivos são os baixos salários, regras de contratação que permitem acumular vínculos e disciplinas com poucas aulas semanais, que obrigam o docente a completar a carga em outras unidades.

O que é escola de tempo integral?

É a escola em que os alunos permanecem pelo menos sete horas por dia, com aulas, oficinas e projetos que ampliam as oportunidades de aprendizagem.

A pós em Educação em Tempo Integral serve para progressão na carreira?

Sim. O diploma de especialização da Faculdade São Luís é reconhecido e pode ser usado em prova de títulos, progressões e processos seletivos, conforme as regras de cada rede.

Escrito por

Giovanna Schaurich

Integrante do time de redação da São Luís. Atua na criação de conteúdos abrangentes que cobrem desde a vida universitária até a especialização profissional. Em colaboração com nosso time de especialistas, produz materiais que auxiliam na organização dos estudos e no aproveitamento máximo da jornada acadêmica, independentemente do nível de formação.

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